Foi-se o tempo em que carboidrato era apenas sinônimo de energia, de alimento para dar pique. Hoje ele ocupa uma posição no mínimo questionável: é considerado o vilão para quem quer emagrecer. A má fama surgiu com os regimes americanos do dr. Atkins e o de South Beach - que privilegiam o consumo de proteínas (carnes, ovos, leite e derivados) e restringem a ingestão de massas, batatas, frutas e cereais.
Já pensou ficar meses sem saborear um pedaço de pizza, esquecer a cervejinha do happy hour ou até mesmo deixar de lado sua fruta favorita? Pois é, não parece nada fácil. De olho nessa dificuldade, a indústria alimentícia americana identificou aí um filão e tratou logo de reagir. Modificou a composição original de alguns produtos, reduzindo a quantidade de carboidratos para transformá-los nos chamados low carb, ou seja, baixo carboidrato. Só para se ter uma idéia da dimensão dessa mania, nos Estados Unidos já são comercializados mais de 600 itens que englobam desde o famoso pãozinho até os chocolates, passando por massas, iogurtes e outras delícias.
Aqui no Brasil, tudo indica que o modismo não deve demorar a aportar nas prateleiras de empórios e supermercados. Por isso, fique ligada e conheça agora as principais características dessa tendência e até que ponto vale a pena aderir a ela.
MENOS CARBOIDRATO, MENOS FOME
Há uma forte razão para entender por que boa parte dos americanos parou de consumir o nutriente - facilidade para emagrecer. O motivo é simples: a maioria dos carboidratos é composta de alimentos carregados de calorias e, quando ingeridos em altas doses, acabam prejudicando ainda mais o controle de peso. Isso porque eles elevam os níveis de glicose no sangue, intensificando a produção de insulina. Com isso, o corpo reage armazenando o excesso de açúcar em forma de gordura e aumentando a sensação de fome. E não é só. A vontade de comer também se agrava porque a digestão é rápida. Para amenizar os efeitos desse mecanismo, a dica é consumir com moderação - daí a vantagem do low carb, que contém quantidades reduzidas suficientes para o bom funcionamento do organismo e ajuda a evitar os quilinhos extras.
O problema surge quando, ao eliminar o carboidrato da nutrição diária, a maioria das pessoas deixa de ingerir frutas, cereais e grãos. "Dessa forma, não absorvem importantes fontes de vitaminas e fibras. A longo prazo esses hábitos têm um impacto negativo sobre a saúde", adverte a nutricionista Stacey Nelson, do Massachusetts General Hospital, em Boston (EUA). Entre os sintomas mais comuns da restrição estão dor de cabeça, desmaios, fadiga, prisão de ventre, alterações de humor, mau hálito e queda de cabelo. "Regimes com grande quantidade de fibras estão relacionados com a diminuição de doenças, inclusive câncer", afirma a especialista americana.
PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>