Tão
importante quanto manter uma dieta balanceada e variada - repleta de legumes,
verduras e frutas e pobre em itens gordurosos, enfarinhados e açucarados
- é consumir itens ricos em substâncias bioativas, que atuam diretamente
na prevenção e no tratamento de doenças. Quer um exemplo? O licopeno presente
no tomate, que age contra diversos tipos de câncer. Chamados de funcionais
ou nutracêuticos, os alimentos com essas propriedades dividem-se em três
grupos: probióticos, prebióticos e simbióticos. Encontrá-los é fácil,
já que estão entre frutas, legumes, verduras, cereais, peixes e derivados
do leite que consumimos no dia-a-dia...
PROBIÓTICOS: equilibram a flora
intestinal
Os iogurtes naturais, o leite fermentado e o Kefir (fermentado lácteo
de origem asiática) são as principais fontes dos bioativos probióticos
(lactobacilos e bifidobactérias). Para entender a função deles, é preciso
lembrar que nossa flora intestinal é habitada por microorganismos benéficos
e nocivos e que há um equilíbrio entre ambos. Só que o estresse, as doenças,
o uso de antibióticos e a idade destroem os agentes "bons" e deixam os
maus em maior número. Recompor as tropas "do bem" é justamente a missão
dos probióticos. Eles também nos protegem contra infecções, ajudam na
absorção de vitaminas e minerais, reforçam o sistema imunológico e reduzem
o pH do intestino, impedindo a proliferação dos bichinhos do mal.
Como o açúcar refinado destrói esses microorganismos, o ideal é fugir
dos iogurtes de sabores açucarados e dar preferência às versões light
e natural. "Para surtir efeito na saúde, é essencial ingeri-los diariamente
e com alguma fibra (maçã, laranja, aveia), a fim de aumentar seu poder
de ação, uma vez que as fibras solúveis são o sustento desses elementos",
explica Gláucia Pastore, professora de Bioquímica de Alimentos da Universidade
de Campinas (Unicamp) e presidente da Sociedade Brasileira de Ciência
e Tecnologia de Alimentos.
Como boa parte dos lactobacilos é destruída pelos ácidos estomacais,
os cientistas desenvolveram tecnologias para fazê-los ultrapassar a barreira
do estômago e chegar ao intestino. Um iogurte tem essa característica
quando o rótulo indica a presença de bífidos ativos. "Também existem cápsulas
que aportam - cada uma - até 5 bilhões de lactobacilos", diz Michaela
Lessmann, nutricionista da Aplacom, empresa que importa essas cápsulas
dos Estados Unidos.
PREBIÓTICOS: combatem o mau colesterol
Itens como cebola, alho, tomate, alcachofra, banana, cevada, centeio,
aveia e mel são ricos em bioativos prebióticos: fibras e açúcares não-digeríveis,
resistentes à ação das enzimas da saliva e do intestino, que servem de
alimento para os microorganismos probióticos. Eles ainda facilitam o trânsito
intestinal, previnem diarréias e prisão de ventre, reduzem o risco de
câncer, combatem o mau colesterol e os triglicérides e controlam a pressão
arterial. Um dos prebióticos mais conhecidos é o frutoligossacarídeo (FOS),
que é obtido a partir da sacarose e acelera a reprodução das bifidobactérias,
inimigas dos microorganismos patogênicos. Deve-se ingerir pelo menos 25
g diárias dessas fibras. "Basta comer uma fruta e salada todo dia para
alcançar essa marca", afirma a bioquímica da Unicamp. "Mas é importante
que sejam fibras solúveis, como as que existem nos vegetais folhosos,
frutas e aveia. As do farelo de trigo, por exemplo, não servem porque
são insolúveis", diz Gláucia.
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