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Edição 215 - Novembro/2006
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  Ultrametabolismo
Nos Estados Unidos não se fala em outra coisa. A bola da vez é a dieta personalizada definida pela carga genética. Em outras palavras, isso significa saber fazer a combinação correta dos alimentos, de acordo com os genes de cada um - essa é a chave para emagrecer e viver melhor. Veja os detalhes dessa descoberta

Um dos livros mais lidos e comentados atualmente no país do fast food é o Ultrametabolism, The Simple Plan for Automatic Weight Loss (que ao ser traduzido, significa “Ultrametabolismo, o plano simples para perda de peso automática”), de Mark Hyman, Editora Scribner. Na lista dos compradores tem de tudo um pouco, desde o público sedento por eliminar os quilinhos a mais até estudiosos do assunto. Sucesso absoluto! Também pudera... O autor defende uma teoria ainda pouco explorada, mas que já dá todos os sinais de que funciona mesmo: a nutrigenômica. Trata-se de uma área da ciência que pesquisa a interação de três fatores essenciais para o bom funcionamento do organismo: a alimentação, o genoma (conjunto de genes de cada pessoa) e o metabolismo. Na prática, isso quer dizer que quando esse trio anda de mãos dadas, a silhueta afina e a saúde agradece. Simples assim. Conheça todos os aspectos dessa novidade que promete revolucionar a batalha contra a balança.

Fim da dúvida cruel

Para começar, a teoria da nutrigenômica explica a pergunta que intriga grande parte das mulheres: por que determinados regimes funcionam para algumas pessoas e são um fiasco para outras? Com a palavra, especialistas no tema. “Tudo depende da genética. Os genes influenciam o ritmo do metabolismo de cada um, isto é, o efeito dos alimentos no organismo de cada um, que podem ser absorvidos de forma adequada ou não; engordar ou não, fazer bem ou provocar mal estar”, explica o cientista de alimentos Jaime Amaya-Farfan, professor da Faculdade de Engenharia de Alimentos, da UniversidadeEstadual de Campinas (Unicamp). “E o contrário também acontece, tudo que ingerimos influencia na resposta dos nossos genes, e cada organismo tem um tipo de reação. É isso o que determina uma pessoa com propensão a engordar ou a ter colesterol, por exemplo”, esclarece o nutrólogo José Ernesto dos Santos, professor associado do departamento de clínica médica, da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto (SP).

Cada metabolismo é único

Agora que conhecemos um pouquinho sobre o tema, fica mais fácil de entender o sucesso do livro de Mark Hyman e também por que a temporada de dietas válidas para todo mundo está com os dias contados. “Não é à toa que os regimes mais eficientes são os personalizados, elaborados de acordo com o perfil da pessoa”, enfatiza a nutricionista Cynthia Antonaccio (SP). “O nome científico desse processo é expressão gênica, que é a resposta orgânica de cada pessoa, conforme o seu metabolismo. Para identificar essas características individuais é feito um mapeamento – a partir de uma análise das reações físicas – que aponta tudo o que a pessoa sente com determinados nutrientes, vitaminas, proteínas etc. Essa é sem dúvida, uma ferramenta adequada e muito avançada para se obter sucesso em um regime e ter mais saúde”, complementa Jaime Farfan, da Unicamp.

O caminho das pedras

O ideal é que esse diagnóstico seja feito por alguém da área como nutricionistas, endocrinologistas ou nutrólogos. “Uma boa anaminese resolve tudo. Com uma entrevista detalhada é possível identificar o que causa alergia e intolerância, por exemplo; e a partir daí traçar um cardápio específico, com ajustes de quantidades, de consumo de carboidrato, do que será permitido nos finais de semana e ainda como as tentações serão ‘negociadas’”, diz Cynthia. “Outra coisa que não costuma falhar são os testes práticos e exames clínicos, como o de sangue e glicose. Esses métodos são importantes para conhecer o metabolismo de uma pessoa”, ressalta o professor da Unicamp. “A auto-análise também é fundamental – toda vez que aparecerem sintomas como mal-estar estomacal, sensação de barriga estufada ou ansiedade por comer mais (logo após sair da mesa), é bom fazer uma revisão para saber quais alimentos podem ter desencadeado esse efeito e passar a ter cautela com eles”, finaliza Cynthia

Isso é para todos

Vale dizer que mesmo diante do poder absoluto da dieta personalizada os estudiosos do tema são unânimes ao apontar alguns princípios que não fazem mal a ninguém e que acabam funcionando para todo mundo. Por exemplo, a gordura trans, que está presente nos fast foods, salgadinhos de pacote, tortas salgadas e doces, bolos e sorvetes, pode e deve ser abolida do menu – além de fazer mal ao coração, têm alto teor calórico. “Já o açúcar não precisa ser retirado completamente, ele traz energia e facilita o transporte de oxigênio no sangue. A sabedoria está em escolher as melhores fontes como frutas, sucos naturais, cereais e massas integrais”, ensina Cynthia. “O segredo é comer pouco das coisas que engordam e são carregadas de calorias como carnes e massas brancas, e abusar daqueles itens saudáveis como frutas, legumes, verduras e iogurtes. Parece simples, mas essa matemática é muito eficiente”, resume o professor José Ernesto, da USP/ Ribeirão Preto (SP).




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