Corpo a Corpo
 
Edição 222 - Junho/2007
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  Bonito é ser você
O ideal seria que cada mulher se admirasse ao se olhar no espelho. No entanto, estudos mostram que a realidade não é bem assim. Algumas passam dos limites para alcançar um padrão. Na verdade, os cuidados com a beleza devem andar de mãos dadas com se sentir bem e feliz

ISABELA LEAL. FOTO: PRISCILA PRADE

Acredite: 89% das mulheres brasileiras entre 18 e 29 anos querem mudar algo em sua aparência, de acordo com uma pesquisa feita pela Dove. E não é só. Outro dado alarmante: 63% do universo feminino com idade entre 15 e 64 anos, em algum momento, faria uma cirurgia plástica. Isso explica o altíssimo nível de insatisfação com a beleza nos dias de hoje. O motivo? Os rigorosos padrões inatingíveis que exaltam as altas e magérrimas.

De fato, os recursos para exibir-se linda e mais jovem são inúmeros e (nós reconhecemos!) tentadores – dos tratamentos estéticos aos alongamentos capilares, passando pelo botox e cirurgias de pequeno, médio e grande porte. Até aí tudo bem, é inegável que isso traz, sim, satisfação, prazer, segurança. Porém, quando esse desejo se manifesta de forma exagerada e deturpada, é preciso se policiar e dobrar a atenção. “Só existe uma maneira de ser feliz nesse sentido: não se comparar a ninguém, respeitar os próprios traços e limitações, ter bom senso e prezar a harmonia antes de qualquer coisa”, alerta o cirurgião plástico Rolando Zani (SP), professor adjunto da Universidade Federal de São Paulo e autor do livro Não Tenha Vergonha de Ser Bonita, Valorize Sua Beleza e Seja Mais Feliz (Ed. Gente). Para entender melhor a linha quase invisível entre o desejo sadio de ser (mais) bonita e o rumo de insatisfação desenfreada que essa vontade pode causar, considere os aspectos a seguir.

beleza saudável
“Não há nada de errado em querer ser bela. Pelo contrário, na medida certa é saudável, humano e faz parte da realidade. Mas as pessoas precisam descobrir o motivo verdadeiro que envolve essa busca pela perfeição. Se for para se sentir melhor com algo que incomoda e realmente não combina, tudo bem, vale a pena e certamente vai trazer resultados muito positivos”, resume a filósofa e psicanalista Viviane Mosé (RJ).

beleza interna
O perigo surge quando a insatisfação não está no aspecto físico, e sim na alma. Ou seja, quando as emoções e os pensamentos estão confusos por questões existenciais – momento de vida, frustrações, desejos não correspondidos... “Há uma teoria inconsciente de que ao se sentir bem fisicamente todos os problemas acabam. Isso é uma sensação ilusória. As angústias continuam e temos que tratá-las organizando nossas emoções. Quando a procura por uma aparência perfeita é desmedida, deixa de ser saudável para sinalizar um conflito interno grave”, explica Viviane.

beleza concreta
Para o cirurgião plástico Rolando Zani, a busca pela beleza é sadia quando traz melhor qualidade de vida. “Costumo dizer que a palavra-chave para definir o sucesso de uma plástica é a felicidade. Se a cirurgia traz aceitação e auto-estima, o objetivo foi alcançado. Agora, os recursos estéticos não são uma solução para os vazios emocionais. É preciso curar as angústias antes de realizar a mudança física. Caso contrário, de nada vai adiantar”, avisa.

beleza distorcida
Quando o assunto é “ficar bonita” há dois perfis de mulher. Um deles são as que sofrem de uma doença chamada dismorfia corporal. “Elas não enxergam a realidade e se vêem muito mais bonitas ou mais feias do que realmente são, sob um critério razoável de considerações. Ou seja, não vêem seus traços, defeitos e qualidades na proporção real e sim de maneira distorcida”, explica Rolando. “O segundo tipo é uma mulher que não se sente bem, mas não sabe exatamente por quê e se julga feia. Às vezes não sabe nem dizer o que gostaria de mudar. Porém, o cirurgião só tem condições de ajudá-la quando identifica o que está por trás desse desejo”, conclui o médico.

beleza originabeleza original
É aquela que é possível. É a sua beleza, que vamos chamar de “ser você”. “Significa reconhecer que existe uma genética, aceitar o que não pode ser mudado e conviver com isso da melhor maneira e, se tiver vontade, mudar o que é possível, ponderando os benefícios”, opina Rolando. Para ele, a beleza vai além da estética. “Não adianta aumentar os seios para usar um belo decote se não houver a vocação para mulher fatal. Um nariz ‘novo’ deve combinar com o formato do rosto, o tamanho da boca... Tudo é a harmonia”.

REALIZAÇÃO E PRODUÇÃO: CRISTIAN HEVERSON / ASSISTENTE DE PRODUÇÃO: MARIANA TAKAMATSU / CABELO E MAKE: ELCIO ARAGÃO MAISENA (FIRST) / MODELO: MARILIA MORENO (ELITE MODELS)

 




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