Suar não emagrece, é fato. No entanto, desidrata um bocado. Isso acontece porque a malhação acelera o metabolismo, que é responsável por liberar energia em forma de calor dentro do corpo. Nesse processo, além da água, perdem-se sais minerais. É aí que mora o perigo. Durante o exercício, muitas pessoas optam pelos isotônicos e deixam a água em segundo plano, principalmente para manter a boa performance. Mas será que é a melhor escolha? Confira a seguir as respostas de especialistas, que esclarecem as dúvidas mais freqüentes sobre o assunto.
P – Do que são feitas as bebidas esportivas?
R – Os suplementos repositores hidroeletrolíticos são basicamente compostos por água, uma pequena taxa de carboidratos (que varia de 6% a 8%) e minerais, como sódio e potássio. Eles possuem ainda sabores artificiais. “Como têm os mesmos componentes do plasma do sangue, os isotônicos são adequados para restaurar a hidratação do corpo”, afirma Turibio Leite de Barros Neto (SP), especialista em fisiologia do exercício.
P – Como agem no organismo?
R – Com o exercício físico, além de fabricar suor, a pessoa queima suas reservas de carboidrato para usá-las como combustível. Nessa transpiração, há perda de água e também de minerais, como sódio e potássio, nutrientes importantes para um bom desempenho. “A bebida repõe, de maneira eficiente, a água, os minerais e os carboidratos nas quantidades ideais para manter o ritmo da atividade física”, orienta a nutricionista Juliana Ribeiro de Carvalho (SP). Quem malha precisa de energia rapidamente. E os açúcares, como a glicose, suprem essa necessidade. Outro benefício dos isotônicos: o sódio presente nessas bebidas faz com que a vontade de beber não passe totalmente. “Isso é bom porque só estamos acostumados a tomar líquido quando a sede grita”, justifica.
P – O que a carência de líquidos pode causar?
R – O sintoma mais importante é a desidratação, que gera modificações no sangue – e conseqüentemente, indisposição, mal-estar e cansaço. “Num grau mais severo, o esportista pode sentir tonturas, náuseas, cãibras e até fadiga”, alerta Turibio.
P – Em que momento do exercício os isotônicos devem ser tomados?
R – A ingestão de líquidos tem que ser administrada antes, durante e depois de qualquer atividade física. “Porém, os isotônicos são mais bem aproveitados se forem utilizados no meio do exercício e no final, repondo a cada 20 minutos cerca de 200 ml do líquido”, indica Renato Lotufo (SP), fisiologista do Sport Club Corinthians Paulista.
P – Qualquer um pode beber?
R – “Para pessoas saudáveis, os isotônicos não possuem contra-indicação”, garante Turibio. O que assusta muita gente é o risco de problemas renais com o consumo freqüente por causa dos minerais. Mas de acordo com a nutricionista Juliana Ribeiro, a utilização não é nociva à saúde. “Os principais elementos presentes nessas bebidas, como cloreto, potássio e sódio, não fazem parte da formação de um cálculo renal”, explica. “Um pedaço de bolo pode conter mais sódio do que uma garrafa de isotônico”, compara Lotufo. Mesmo assim, indivíduos com problemas nos rins, diabetes, hipertensão e grávidas só devem consumir com orientação médica.
P – Os isotônicos engordam?
R – Sim, pois possuem açúcares em sua composição. São valores calóricos menores do que os contabilizados por refrigerantes, mas não são nulos: 200 ml têm cerca de 50 calorias. Para consumi-los sem se preocupar com a balança, o ideal é adequá-los a uma dieta equilibrada. Não é o isotônico que engorda, mas o cardápio que o acompanha.
P – Eles podem substituir a água durante a atividade física?
R – Existem divergências. Para alguns especialistas, se o exercício não se estender por mais de 60 minutos, a água é suficiente. “Em atividades de pequenas durações, ela hidrata bem o organismo, já que não há perda elevada de minerais”, defende Lotufo. No entanto, há quem discorde. “Não tem uma regra. Tudo depende do calor, do tipo de exercício e do perfil da pessoa. Nesse sentido, os isotônicos também podem ser usados para repor os nutrientes em atividades mais curtas”, avalia Turibio.
P – É verdade que são absorvidos rapidamente?
R – De certo modo, sim. “A água costuma ser assimilada sem gasto de energia. Mas a sua combinação com o carboidrato, por motivos fisiológicos, acaba acelerando o processo de absorção”, conclui a nutricionista. É por isso que a sensação de peso no estômago é menor em quem consome as bebidas isotônicas durante a malhação.
P – Os energéticos vendidos em casas noturnas são considerados isotônicos?
R – Não. Esses líquidos, além de carboidratos, possuem cafeína, substância estimulante do sistema nervoso central.
P – A água-de-coco é um isotônico natural?
R – De fato ela possui uma composição rica em água, minerais e carboidratos. Só que, dependendo da época e da maturação do coco, a concentração do açúcar da fruta pode oscilar, fazendo com que sua semelhança com o isotônico industrializado também varie.
Bebida turbinada |
| Existem isotônicos que possuem mais carboidratos na fórmula. Por conterem uma porcentagem maior desse nutriente, ajudam na recuperação do organismo. Mas, diferentemente dos convencionais, devem ser ingeridos cerca de duas horas antes ou logo depois da atividade, para não pesar no estômago ou atrasar a hidratação durante o exercício. Vale lembrar que, na mesma medida em que apresentam uma quantidade maior de carboidratos, também proporcionam mais calorias. |
|