Corpo a Corpo
 
Edição 225 - Agosto/2007
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  Todas querem toxina botulínica
Não se fala de outra coisa senão as 3 novas formas (polêmicas!) de usar a substância: agora ela vem sendo aplicada na hora do almoço e em mulheres com menos de 30 anos. Tem até uma cirurgia que promete imitar seus efeitos. Loucura ou uma supersacada?

SIMONE SERPA.
FOTO: DARCIO TUTAK

A toxina botulínica do tipo A, a única que pode ser usada para fins estéticos, paralisa os músculos da face e, com isso, suaviza linhas e marcas de expressão. O efeito dura 6 meses

Esticadinha básica na hora do almoço
Os Estados Unidos, berço da comida fast-food, acabou de lançar o fast-food da beleza. Estamos falando de uma clínica que oferece um serviço rápido de aplicação de toxina botulínica. Você entra, injeta a substância tão rápido quanto faz as unhas, e volta ao seu trabalho. A idéia é tentadora, resta saber se não oferece riscos à saúde.

APLICAÇÃO VAPT-VUPT
“Isso não é problema, mas logo depois da injeção a pele fica vermelha por 2 horas e pode haver inchaço na área tratada”, fala Leonard Bannet, cirurgião plástico da Santé (SP). “Quatro horas após a técnica é proibido deitar, malhar, massagear ou apertar a região”, alerta Roberto Rodolfo Jr., diretor da Sociedade Brasileira de Medicina Estética (SBME — RJ).

ÉTICA MÉDICA
Clínicas desse tipo são um fenômeno do mundo moderno, em que o tempo é um bem precioso e essa é uma maneira de otimizá-lo. “Ok, é perfeito, mas ali se comete uma falta grave, que é usar a toxina em quem mal foi examinado. Isso traz riscos, como o ativo não surtir o efeito desejado ou deixar o rosto torto por 30 dias”, avisa Valcinir Bedin, dermatologista e presidente da SBME — SP. “Para evitar contratempos, é bom consultar sempre o mesmo profissional. Coisa que provavelmente não acontece lá fora”, opina a dermatologista Luciane Scattone (SP).

CONSULTA A JATO
“A relação médico-paciente é praticamente inexistente na clínica estrangeira. Com a urgência de fazer tudo a jato, o especialista não tem disponibilidade para ouvir a pessoa, avaliar suas necessidades, ou frear suas intenções quando perceber que o que ela pede é tecnicamente impossível ou esteticamente feio”, diz Rodolfo. Nota: a SBME não tem conhecimento de locais nesses moldes no Brasil. “O que ouvimos falar é de médicos que fazem a aplicação já na primeira consulta, basta um pedido da paciente, o que é condenado pelos conselhos de medicina”, informa ele.

Bonita todas nós queremos ficar. Mas é preciso ter bom senso, principalmente quando o assunto é tratamento estético e cirúrgico, afinal todos possuem contra-indicações que podem colocar sua saúde em risco. Daí a necessidade de procurar um profissional sério e habilitado, que faça testes para saber, por exemplo, se você é sensível à fórmula do produto, que não pode ser usado por grávidas e quem teve botulismo

Toxina antes dos 30, pode?!
Cada vez mais jovens buscam nela a solução para adiar as rugas. “Não existe idade mínima para aplicação, mas sim, uma indicação correta. Se a mulher tem musculatura facial forte, com várias marcas de expressão, e isso a incomoda ou produz um ar de envelhecimento precoce, a substância é uma boa”, fala Rodolfo.

PREVENIR X REMEDIAR
“É fato que o ativo previne rugas, já que ele paralisa a musculatura, evitando movimentos repetidos como tiques que, com o tempo, acabam provocando o aparecimento dos sulcos no rosto”, conta Bedin. O doutor Leonard concorda. “A toxina evita que marcas dinâmicas, que só aparecem com as expressões, se transformem em rugas estáticas, presentes mesmo quando não estamos falando ou sorrindo.” Porém não dá para banalizar o uso da técnica, afinal seu sucesso está na individualização do tratamento. As doses injetadas e os locais variam para cada um, ainda mais aos 30, quando o que mais se deseja ao fazer um procedimento invasivo é um resultado natural.

PODE VICIAR
Quem começa a usar a substância cedo, gosta da ação que ela produz e tende a não parar mais. Bedin dá um exemplo: “É como se a pessoa ficasse viciada nesse efeito ‘eternamente jovem’. Viciada no bom sentido, claro, pois ela gostou tanto que não consegue mais se imaginar com rugas”. A princípio isso não representa problema, a menos que se crie anticorpos ao ativo e ele perca a eficácia, o que é raro. Daí pode-se adotar outra marca do produto, já que uma é ligeiramente diferente da outra.

O PAPEL DA GENÉTICA
A preciosa herança dos genes conta muito na hora de se decidir ou não pelo uso da toxina. “Não vai adiantar aplicá-la em uma pele que marca mesmo em repouso. Nessas situações deve-se adotar um tratamento para combater a flacidez cutânea”, diz Bedin.

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