Corpo a Corpo
 
Edição 233
Na CapaMais BonitaCorpo em FormaMagra e Saudável
Sumário da edição
Edições anteriores
Entre nós
Contato direto
Consulta express
Hits de beleza
Múltipla escolha
Maquiagem é tudo
Dez que são 10
Fio maravilha
Clínica de beleza
Circuito Fashion
Hits de fitness
Sempre em forma
Giro na academia
Vida leve
Corpo assina
embaixo
Onde encontrar
Fale Conosco
Assine já
Anuncie



  Mania de ser natural
Quem diria que optar por comida natural pode se tornar um problema... É que em excesso, beirando a obsessão, essa atitude ganha nome de distúrbio: ortorexia. entenda o que signifi ca e saiba se você corre algum risco

YARA ACHÔA Foto: Priscila Prade

A conscientização de se ter qualidade de vida e alimentação saudável entrou definitivamente em nosso cotidiano. Quem é que nunca parou diante de um rótulo para verificar se o produto é livre de gordura trans? Ou até pagou um pouco mais para ter uma fresca salada de verduras orgânicas? Recente pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) mostra que a principal preocupação de 43% dos brasileiros é a saúde. Os “politicamente saudáveis” pregam: nada de gorduras, transgênicos, cafeína, comidas prontas, com aditivos ou substâncias químicas. Só que há uma linha tênue que separa o desejo por um cardápio equilibrado de uma doença. Quando a preocupação vira obsessão, para o médico americano Steven Bratman, autor de Health Food Junkies (Viciados em Comida Saudável), ela ganha o nome de ortorexia.

Uma dieta de qualidade – equilibrada em nutrientes e com alimentos provenientes de fontes seguras, não somente naturais – traz, como benefícios, saúde, longevidade, controle do peso, bem-estar e prazer

“A ortorexia nervosa é uma doença ainda não reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS), nem figura nos manuais de psiquiatria. É classificada como um Transtorno Alimentar Não Especificado (Tane) ou Transtorno Alimentar Sem Outra Especificação (TASOE). Os portadores desse distúrbio vivem examinando o que irão comer, provocando um efeito contrário ao de uma dieta saudável, ou seja, desequilíbrio alimentar”, explica a nutricionista Tânia Rodrigues, da RGNutri Consultoria Nutricional (SP). O distúrbio surgiu como uma distorção da idéia de que a comida natural é a melhor forma de alimentar corpo e alma. Mas os especialistas apontam ainda outros fatores que podem desencadear esse mal: o culto ao corpo e a excessiva publicidade de produtos supostamente saudáveis ou enriquecidos. O problema é que os ortoréxicos levam isso a sério demais. E, por causa das restrições ao que colocam no prato, acabam convivendo apenas com aqueles que dividem o mesmo cardápio ou consomem horas e horas pensando no que e como comer. A preocupação com a comida, então, chega a ser paranóica e a pessoa fica insuportável. O argumento principal dos que sofrem dessa nova patologia é o de não prejudicar a saúde a qualquer preço.Essa obsessão já estaria afetando 2% da população de países como os Estados Unidos. O professor de Medicina Preventiva e Saúde Pública da Universidade de Navarra, na Espanha, Javier Aranceta conta que a ortorexia é vista em seu país como uma “moda emergente” de “autistas alimentícios com tendência à infelicidade”. Para o especialista trata-se de um “fenômeno crescente”, que logo poderá ser equiparado a outros males como a anorexia, a bulimia e até mesmo a obesidade.

comportamento anti-social
O problema se inicia quando a preocupação com a alimentação começa a tomar grande parte do dia desses indivíduos. Os ortoréxicos não medem esforços para comprar seus alimentos: percorrem longas distâncias e pagam valores muito superiores aos dos produtos comuns. Além disto, se recusam a comer na casa de amigos e parentes, pois não sabem o que será servido. “Eles se julgam superiores às outras pessoas com hábitos ‘anti-saudáveis’ e tentam catequizar seus amigos e família”, atesta Tânia Rodrigues. Quando deixam de cumprir com seus objetivos, são tomados por sentimento de culpa e em seguida tornam-se ainda mais radicais, o que aponta o caráter doentio de seu comportamento. “A partir do momento em que a dieta ‘saudável’ se torna uma obsessão, em que a pessoa começa a se preocupar só com o valor nutricional do alimento, deixando de lado os aspectos sociais e sensoriais, já está no estágio de doença. Isso causa prejuízos para o indivíduo. Uma dieta realmente saudável não deve provocar esses transtornos e, sim, promover uma melhor qualidade de vida”, avalia a nutricionista. Segundo o professor Javier Aranceta, o ortoréxico se “enche” de produtos funcionais com o objetivo de ficar saudável, mas deixa de consumir 80% de outros que são mais importantes e básicos para o organismo.

PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>




Faça já sua busca
no site da revista Corpo a Corpo

Cadastre-se já no boletim da revista
Corpo a Corpo



   
ContentStuff.com Copyright © 2008 - Editora Escala
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação sem autorização.