Reportagem: Monique Zagari Garcia

endometriose

Dores durante a relação sexual, cólicas intensas e dores ao

evacuar e urinar são os principais sintomas da endometriose

Foto: Shutterstock

Também conhecida como a “doença da mulher moderna”, a endometriose está na lista das doenças ginecológicas que atingem muitas mulheres em sua idade reprodutiva. Segundo o Dr. Joji Ueno, responsável pelo setor de Histeroscopia Ambulatorial do Hospital Sírio Libanês (SP) e Diretor na Clínica Gera (SP), a endometriose é uma doença que se caracteriza pela presença de tecido semelhante ao do interior do útero em outros locais fora da cavidade uterina. “O distúrbio atinge órgãos genitais femininos internos, como ligamentos uterinos posteriores (uterossacrais), torus uterino, tubas uterinas, vagina, ovários e órgãos extragenitais, como intestino e bexiga”, enumera o Dr. Fábio Sakae Kuteken, ginecologista do Hospital São Camilo (SP).

diversas teorias que tentam explicar as origens e causas da endometriose, mas não há uma definida. O ginecologista e obstetra Dr. Cláudio Basbaum (SP) aponta a tese da menstruação retrógrada como uma das principais: “Parte do sangue menstrual volta pelas trompas e cai dentro do abdome; as células descamadas do endométrio se implantam em tecidos e órgãos intra-abdominais e ali iniciam seu desenvolvimento. Uma vez fixados, se comportam de forma similar ao tecido intrauterino durante a menstruação, ou seja, necrosam, descamam e os vasos que ali se encontram sangram, surgindo lesões que causam dores, alterações locais como se fossem “feridas”, predispondo a criação de aderências dentro da pelve e comprometendo a fertilidade”.

O Dr. Fábio Sakae Kuteken relata que seus sintomas e impactos na saúde mais comuns são a presença de cólicas menstruais cíclicas ou acíclicas, dores durante a relação sexual (penetração profunda), infertilidade e dores ao evacuar e urinar durante a menstruação. Muitas vezes os sintomas da endometriose podem ser confundidos com cólicas e outras doenças: “As mulheres interpretam os sintomas deste distúrbio como cólicas menstruais comuns, normais. O aumento da intensidade dessas cólicas e a persistência dos sintomas ao uso das medicações podem indicar a doença. A endometriose também pode ser confundida com doenças não ginecológicas, como a Doença de Crohn e Síndrome do Intestino Irritado”, relata.

Ginecologista e obstetra e vice-presidente do Hospital Israelita Albert Einstein (SP), o Dr. Eduardo Zlotnik explica que as lesões da doença podem ser visualizadas nos exames de ultrassom. Por vezes, para uma melhor visualização, é necessária a ressonância magnética e até mesmo um ultrassom com preparo intestinal para avaliação de lesões na parede do intestino.

Quando perguntamos sobre os tratamentos para a cura da endometriose, o Dr. Fábio é claro: “A endometriose pode ser tratada de duas formas: com uso de medicações e/ou cirurgia. A escolha irá depender da sua classificação e sintomas que a mulher apresenta. Existem varias classificações para a doença, sendo as mais atuais: superficial, profunda e ovariana. O tratamento da endometriose na sua forma superficial pode ser feita com o uso de medicações como anticoncepcionais, análogos do Gnrh, entre outros. O tratamento cirúrgico é feito preferencialmente pela videolaparoscopia, sendo indicado na forma infiltrativa e ovariana da endometriose, tendo como objetivo ressecar todos os focos desta na pelve”.

Para evitar o sofrimento causado pela endometriose, existem alguns cuidados que podem ajudar na sua prevenção: “O segredo é a boa alimentação, prática de atividades esportivas e diminuição do estresse. O uso de conservantes, a poluição, o sedentarismo e estresse estão relacionadas não só à endometriose como doenças como o câncer, muito provavelmente por alterações no sistema imunológico das mulheres”, revela o especialista. 

Tem cura?

“Sim, a endometriose pode ter cura. Os últimos trabalhos científicos sobre qualidade de vida e pacientes portadoras de endometriose profunda infiltrativa demonstraram resultados positivos após elas terem sido submetidas a tratamento cirúrgico adequado; ou seja, é necessário fazer um diagnóstico preciso para a realização de um tratamento cirúrgico preciso, obtendo então um tempo maior livre da doença até a cura definitiva da paciente", finaliza o Dr. Fábio.