Músculos e articulações doloridas podem ser sinais de que você está exagerando nos exercícios e deixando de escutar o próprio corpo. Atenção: o rendimento também corre perigo. Saiba o que é estafa muscular e previna-se

Por Rita Santander e Marcia Di Domenico | Adaptação Ana Paula Ferreira

A fadiga muscular é um cansaço generalizado, agravado

por dores nos músculos e articulações / Foto Shutterstock

Não há dúvida de que a atividade física traz muitos benefícios à saúde: fôlego, força, perda de peso, prevenção de doenças, bom humor. Só que, como quase tudo na vida, exagerar na dose pode desencadear prejuízos. “Se você treina todo dia até o músculo não aguentar mais, pode acabar tendo uma estafa muscular, que é o que também chamamos de overtraining e se caracteriza por um período prolongado de fadiga”, explica Thiago Soares Camargo Póca, personal trainer da assessoria esportiva Prime Life, de São Paulo.

A fadiga muscular nada mais é que um cansaço generalizado, agravado por dores nos músculos e articulações. “Essas dores são apenas parte dos sintomas”, observa Thiago. Falta de disposição para malhar, perda de massa magra e queda no rendimento também podem surgir quando você não escuta seu corpo e segue treinando. “Tem pessoas que acham que, para o exercício ser bom, tem que doer. Mas, às vezes, a dor é o alerta do corpo para que você dê um tempo”, enfatiza o profissional.

Incômodo necessário

Treinos de resistência, principalmente os que utilizam carga (como musculação, funcional e crossfit), geram microlesões nos músculos, necessárias para obter resultados e típicas de quando você adota um novo treino ou retoma as sessões depois de um tempo parada. Nesses casos, o desconforto tende a aparecer de 24 a 48 horas após a ginástica. Quando você está acostumada à atividade, o mais comum é que o corpo não manifeste essas dores, o que não quer dizer que não precise de período para se recuperar das microlesões geradas pelo esforço.

Dar esse tempo ao corpo não significa abrir mão dos treinos diários. Thiago Póca recomenda a periodização dos treinos, que vai estimular músculos diferentes em intensidades distintas, sem levá-los à exaustão. “Por mais que não seja possível isolar alguns grupos, o importante é focar em um dia quadríceps e no dia seguinte posteriores, por exemplo. A ideia é não trabalhar a mesma musculatura em menos de 48 horas, para não correr o risco da estafa muscular”, aconselha.

Em atividades que acionam sempre os mesmos grupos musculares, como corrida ou natação, é importante cadenciar o treino para não sobrecarregar o corpo. “Por isso, deve-se fazer um treino de educativo em um dia, um de explosão no outro e, no seguinte, uma treino de resistência, por exemplo”, sugere Thiago. 

A importância do sono

Dormir bem é, junto com a periodização e o descanso, uma atitude chave para evitar a estafa porque é durante o repouso que ocorre a liberação de hormônios envolvidos na recuperação muscular. Somado à falta de disposição por causa da noite maldormida, isso pode, com o tempo, resultar em perda de massa e definição muscular ou, ainda, em regressão do condicionamento físico conquistado. O dia a dia tenso de trabalho e alterações psicológicas que interferem na qualidade de sono (como ansiedade e estresse) também podem prejudicar a recuperação muscular e aumentar o risco de estafa muscular. “Nesse caso, ela estará relacionada não ao excesso de exercícios, mas à falta de recuperação adequada devido ao sono insuficiente”, conclui o personal.

Questão feminina

Comum em mulheres que treinam pesado (atletas profissionais ou não), a chamada tríade da mulher atleta afeta o metabolismo, ocasionando distúrbios alimentares, baixo índice de massa corporal, falhas na menstruação e osteoporose. “Muitas doenças da velhice estão surgindo na população jovem devido a hábitos negativos”, avalia o enfermeiro Sandro Gama, da Faculdade Anhanguera de Taubaté (SP), alertando que a diferença entre a ação benéfica e a maléfica do esporte é a dosagem.

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