Além do estresse do dia a dia, a tecnologia, incluindo redes sociais, pode ter importante papel na depressão que acomete tantas mulheres. Entenda o motivo

Texto Marcela Cataldi | Adaptação Ana Araujo

Tristeza e depressão são piorados pelas redes sociais

Tristeza e depressão podem piorar por causa da tecnologia e redes sociais

Foto: Shutterstock

Os casos de depressão e ansiedade só têm aumentado no mundo todo. Só no Brasil, segundo os últimos dados do IBGE (de 2014), cerca de 11 milhões de pessoas sofrem com o problema, esse número representa 7,6% da população. E os especialistas estimam que possivelmente esse percentual seja ainda maior, já que nem todos procuram ajuda médica. Dia a dia atarefado, trânsito, estresse, falta de tempo, preocupações financeiras e relações difíceis no trabalho são apenas alguns dos exemplos das pressões da vida moderna e que contribuem muito para esse aumento da ansiedade e depressão. Mas a medicina tem encontrado outro vilão mais recente, que pode ser facilmente acrescentado a essa lista: a tecnologia. Se por um lado ela facilita (e muito) a nossa vida, por outro ela pode atrapalhar as relações sociais e, com isso, tornar a felicidade um pouco mais distante.

A explicação para isso, segundo o israelense Tal Ben-Shahar, professor de uma disputada disciplina que ensina o que é felicidade na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, é que o afastamento entre as pessoas pode ser uma das causas do aumento da infelicidade: “O que realmente interfere na felicidade é o tempo que passamos com pessoas que são importantes para nós, como amigos e familiares. Mas apenas se você estiver por inteiro: não adianta ficar ao celular quando se encontrar com quem você ama”, explica. Esse distanciamento tem acontecido de diversas maneiras, como quando não prestamos mais tanta atenção nas pessoas e nos lugares à nossa volta e ficamos conectados na internet ou ao substituir as conversas ao vivo por textos digitados nos aplicativos e programas de bate-papo virtuais.

Sem contar que uma rápida olhada nas redes sociais pode levar a gente a pensar que tudo o que está lá é verdade e fazer com que venha aquela sensação de frustração. “As redes sociais atuam como verdadeiras vitrines, muitas vezes estampando falsas realidades, transparecendo uma felicidade constante, quando sabemos que ninguém é feliz o tempo todo. Estas imagens podem ocasionar sentimentos como inveja, frustração e raiva”, explica Daniel Nozawa, professor de Neurociências e Psicopatologias, de São Paulo.

Revista Corpo a Corpo | Ed. 326

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