Especialistas respondem dúvida curiosa e muito frequente: afinal, é possível voltar atrás, reverter a laqueadura e engravidar novamente?

Reportagem: Monique Zagari Garcia

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Mulheres com menos de 35 anos que não apresentam nenhum fator de infertilidade têm

mais chance de obter sucesso na reversão da laqueadura
Foto: Danilo Tanaka 

Muitas mulheres optam pela laqueadura tubária como método contraceptivo. No entanto, sabemos que o tempo é o grande responsável por mudar nossas opiniões e escolhas, o que faz com que muitas mulheres, ao retomarem o desejo de engravidar, se arrependam de ter feito o procedimento que obstrui as tubas uterinas e impede a fecundação. “Fazer uma laqueadura é uma decisão muito importante a ser tomada. É preciso levar em consideração que se trata de um método contraceptivo permanente, o que exige muito diálogo entre o casal e especialistas antes do procedimento para que não existam arrependimentos. Grande parcela do sexo feminino troca de parceiro, amadurece, melhora sua condição financeira e acaba mudando de ideia, assumindo uma inesperada vontade de engravidar novamente”, relata a ginecologista e obstetra Erica Mantelli (SP).

Quero engravidar! E agora?

De acordo com o ginecologista Joji Ueno (SP), a laqueadura é um procedimento que só apresenta 50% de chance em sua reversão. Em alguns casos, se a cirurgia foi realizada com cuidados microcirúrgicos, a laqueadura pode chegar a uma taxa de reversão de 80% - tudo dependerá da forma como foi realizado o procedimento. “Para reverter a laqueadura, muitos fatores devem ser levados em consideração: comprimento e vitalidade dos segmentos das trompas a serem unidas, faixa etária da mulher (mulheres com menos de 35 anos têm mais chance de obter sucesso na reversão), habilidade do microcirurgião, método utilizado para laqueadura tubária e quantidade de tecido de cicatrização na região da cirurgia”, destaca Joji.

No que diz respeito ao método utilizado, fator que contribuirá ou não para a reversão da laqueadura, a ginecologista Bárbara Murayama (SP) explica que, em casos em que as trompas foram totalmente retiradas e não só cortadas e amarradas, não é possível reverter o quadro. Já nos casos de laqueadura convencional, quanto antes for realizada a cirurgia de reversão, maiores são as chances de sucesso. “Laqueaduras com mais de 10 anos têm chances baixas de ser revertida”, afirma a médica.

A salpingoplastia, nome do procedimento responsável por reverter a laqueadura, é uma microcirurgia complexa sob anestesia, que pode ser realizada pela incisão no abdômen ou por laparoscopia. “Será realizada a tentativa de recanalizar e juntar as partes seccionadas da tuba para que ela volte a desempenhar sua função primordial para a fertilização e gestação ocorrer”, explica Erica Mantelli. O procedimento deve ser realizado em centros médicos especializados, com tecnologia adequada, equipe capacitada em microcirurgia e reprodução humana. “Infelizmente são poucos os centros de referência na saúde pública à disposição da população para este tipo de cirurgia”, avalia a especialista.

“Em casos de impossibilidade e inviabilidade da salpingoplastia, a solução é fazer o acompanhamento em centros especializados em reprodução humana e recorrer às técnicas de fertilização in vitro e transferência de ambriões”, diz Erica. Por isso, antes de bater o martelo e optar pela laqueadura, é essencial que avalie e pondere as consequências do procedimento. Se o objetivo é apenas não engravidar, existem outros métodos eficazes para impossibilitar a gestação, como o DIU e as pílulas anticoncepcionais orais ou injetáveis.