Não são poucas as cacheadas que se arrependem de ser lisas com a técnica da progressiva. Para as que desistem do fio reto, o caminho de volta aos cachos é difícil, mas a única garantia de ter cabelos mais saudáveis e naturais

Por Isabela Leal | Foto Patrícia Canola | Adaptação Ana Paula Ferreira

Algumas dicas podem te ajudar a passar pelo período de

transição de uma forma melhor. Confira!

Foto Patrícia Canola

A química excessiva dos alisamentos - seja pela progressiva, escova definitiva, relaxamento ou qualquer outro método - é um dos principais motivos que fazem as mulheres “artificialmente lisas” desejarem seus cachos de volta. Como conta Marta Gutenberg,  22 anos, psicóloga, de Jundiaí (SP).  “A química estava fazendo meu cabelo cair demais, então, para não ficar destruído, resolvi deixá-lo voltar ao normal”, diz. Outro motivo é o tempo enorme que os cuidados exigem,  acabando em muito trabalho e pouco resultado. “Não tinha tempo pra arrumar o cabelo como eu gostaria e saía de casa irritada porque ele vivia desarrumado e preso. Nada o fazia ficar bonito. Aí desisti. Estava disposta a aceitar o meu cabelo natural e não me preocupei em como ele ficaria”, relata Jéssica Martins, 26 anos, empresária, de São Paulo (SP). 

Porém, essa escolha implica em uma questão crucial: como sobreviver ao período de transição, em que o cabelo fica com a raiz ondulada e o comprimento alisado? “Antes de pensar em qualquer método ou cosmético milagroso, a palavra de ordem é paciência. E quanto maior a diferença de textura entre os fios naturais e os processados quimicamente, maior a necessidade de eliminá-los”,  explica Wilson Eliodório, cabeleireiro,  de São Paulo (SP). A boa notícia é que ao longo desse caminho alguns aliados facilitam a jornada, como penteados que disfarçam, um bom corte (na hora certa), produtos que nutrem e hidratam e cuidados essenciais no dia a dia, que amenizam essa fase de ansiedade que é preciso atravessar para ver os cachos naturais.

Penteados e acessórios

Estilizar e fazer penteados nesse período é fundamental para tornar o processo mais leve. Como explica Pitty Braga, hairstylist do salão Jacques Janine, de Belo Horizonte (MG): “O jeito é lançar mão de algumas alternativas para minimizar o contraste entre o fio natural que começa a aparecer com o que continua alisado. Por exemplo, vale investir no difusor, acessório do secador que distribui o ar quente de forma homogênea para dar movimento e maleabilidade aos fios”. O babyliss também é outra opção muito útil, como conta Jéssica Martins,  que também enfrentou o resgate dos cachos: “Eu usei o acessório durante todo o período de transição. Li em diversas reportagens que não seria o mais adequado, mas bateu um desespero porque eu tinha franja e ficou complicado. Comprei um babyliss bem fino e usei muito! Troquei a chapinha por ele”, relata. De fato,  o superaquecimento do babyliss pode fragilizar ainda mais a haste capilar que já está comprometida, mas parece não ter muita alternativa para o seu uso. “Ondular e criar cachos com a ajuda de produtos fixadores e o amigo babyliss são fundamentais para um bom resultado”, endossa Wilson Eliodório. 

Mas há outras saídas. O bom e velho penteado também é uma redenção nesse período. “Além de chorar de raiva, eu costumava usar constantemente o cabelo preso com um rabo de cavalo, assim conseguia esticar a raiz enrolada e deixar a parte lisa solta. Como a raiz era muito curta no começo, ficava praticamente impossível alisá-la com chapinha, então tinha que prender e passar creme ou gel na raiz”, lembra Marta Gutenberg. “Outra opção interessante para essa fase são as tranças e coques, muito práticos para o dia a dia, que não mostram muito o comprimento dos fios”, sugere Pitty Braga.

Contraste menos radical

Para amenizar a diferença de texturas é possível fazer um alisamento mais light na raiz. “Hoje, conseguimos minimizar o contraste entre a raiz crespa e os fios alisados com uma progressiva menos agressiva, com a fórmula mais suave e sem formol. A execução do tratamento também é diferente, é necessário diminuir o calor da chapinha e passá-la menos vezes no cabelo. E se o fio estiver muito fragilizado, usamos apenas o secador para ativar os benefícios do produto, sem usar a prancha”, detalha Pitty. Wilson Eliodório destaca que qualquer produto que altera a estrutura interna do fio vai desestruturar o cabelo e, por consequência, ele deixa de ser natural. “Em alguns casos, uso a própria progressiva para ajudar neste momento de transição, mas vale deixar claro que estamos processando o fio. Alguns profissionais utilizam a técnica de permanente nos fios alisados, é outra opção para minimizar a diferença de texturas”, diz o cabeleireiro.

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