Antes de querer turbinar os seios, saiba tudo sobre o procedimento, desde como a prótese de silicone é colocada até os cuidados que devem ser tomados para se recuperar bem

Texto Bárbara Rossi | Adaptação Ana Araujo

Prótese de silicone: riscos e pós-operatório

Prótese de silicone: riscos e pós-operatório

Foto: Shutterstock

As próteses de silicone foram criadas em 1962 e a americana Timmie Jean Lindsey foi a primeira a recebê-las com o intuito de aumentar o tamanho dos seios. Cinquenta anos depois, esse tipo de cirurgia se tornou a segunda mais realizada em todo o mundo, perdendo apenas para a lipoaspiração. Hoje, no Brasil, mais de 185 mil mulheres recorrem às próteses de silicone para exibir um decote mais recheado. 

Por onde a prótese de silicone é colocada?

Parte inferior do seio – o corte é feito no sulco abaixo da mama. “É o método mais utilizado pelos cirurgiões por ser o menos agressivo e causar menos sangramento”, afirma Acrysio Peixoto, cirurgião plástico (RJ). A desvantagem é que a cicatriz fica mais evidente, sendo pior ainda para quem tem tendência a queloide.

Aréola – o corte é feito em formato de meia-lua, na borda inferior da aréola. A diferença de coloração entre essa parte do seio e da pele ajuda a camuflar a cicatriz, tornando-a imperceptível. As desvantagens são poder haver comprometimento da sensibilidade no local e, pelo corte, também atingir as glândulas mamárias, aumentando o risco de contaminação.

Axila – A cicatriz fica superescondida e o local tem pouca incidência de queloide. O lado ruim é que a via de acesso da axila até os seios é mais complicada, o que torna difícil a colocação de próteses grandes ou das que têm formato anatômico (por serem assimétricas).

Onde a prótese de silicone fica?

Abaixo da glândula mamária – é o local onde a maioria das mulheres opta para comportar o implante. “O método oferece recuperação mais rápida e com menos dor”, garante Acrysio Peixoto. No entanto, por se tratar de uma região mais superficial, as bordas da prótese podem ficar aparentes, principalmente em mulheres muito magras ou com seios naturais pequenos, causando um efeito artificial.

Abaixo do músculo peitoral – “Por ser colocada mais profundamente no corpo, as bordas da prótese somem e o resultado é mais natural. Por isso, é a técnica mais indicada para quem tem seios pequenos”, fala Eduardo Sucupira. O método também oferece menos chances de contratura capsular, um dos riscos desse tipo de cirurgia. A recuperação não é tão tranquila. Nos dias seguintes à cirurgia, a dor é intensa e a paciente demora cerca de um mês para voltar às atividades de rotina.  

Abaixo da fáscia – o tecido fininho, que fica entre a glândula e o músculo peitoral, ajuda a cobrir a prótese e deixá-la menos aparente. Porém, por se tratar de uma camada superdelicada, a cirurgia exige mais técnica e é mais difícil de ser realizada. É o método menos utilizado.

Depois da cirurgia 

Geralmente, é preciso permanecer no hospital em observação entre 12 e 24 horas. “Depois de mais ou menos 15 dias, retiramos os pontos e, aí, a paciente já pode voltar ao trabalho, mas sem carregar peso ou fazer muito esforço”, alerta Acrysio Peixoto. É normal que a região fique inchada por cerca de 30 dias. A volta às atividades físicas deve ser gradual. Depois de um mês, exercícios leves e que não movimentem os braços (como, por exemplo, uma caminhada) estão liberados. Mas nem pense em malhar com peso nos primeiros seis meses!  

Conheça os riscos da prótese de silicone

O mais comum é a contratura capsular. Ao receber o implante de silicone, o organismo desenvolve uma espécie de cápsula em volta dele, por se tratar de um corpo estranho. O problema é quando essa cápsula endurece, pressionando a prótese, deformando-a e causando bastante dor. Em alguns casos é necessário até refazer a operação e trocar a prótese. Apesar de a incidência desse problema ser baixa (apenas cerca de 3% das pacientes sofrem com ele), não existe forma de prevê-lo e se precaver.

Revista Corpo a Corpo | Ed. 322