Crescimento rápido, aumento de peso, gravidez: eis três situações que podem causar estrias. Saiba os mitos e verdades sobre essas terríveis linhas, que afetam mais de 70% das mulheres

70% das mulheres sofre desse mal, sabia?

Passar por aumento de peso, crescimento rápido e gravidez sem herdar uma estria sequer é quase

impossível, já que esse mal atinge 70% das mulheres...

Foto: Danilo Borges

Elas aparecem quando a pele "estica demais"

Verdadeiro. "Elas são decorrentes do rompimento das fibras de elastina e colágeno, que estão presentes na camada intermediária da pele (denominada derme). Isso ocorre quando há um estiramento rápido, sem que haja tempo suficiente para que a pele se acostume à nova forma", explica a dermatologista Carla Albuquerque (SP). Em geral, elas são lineares, paralelas e podem variar de um a alguns centímetros de extensão.

O problema só atinge a ala feminina

Falso. No entanto, é verdade que elas são as maiores vítimas: 75% da população feminina sofre com essas marcas. Entre os homens, a taxa de incidência é de 25%.

Os hormônios também têm importância nesta história

Verdadeiro. "Alguns, como o estrogênio, geram um processo chamado catabolismo, que degrada a elastina, principal proteína responsável pela elasticidade da pele. Ainda há as chamadas estrias pós-trauma, que aparecem depois de acidentes com lesões, e aquelas causadas pelo ganho de peso acelerado, como ocorre com as gestantes", diz Fernando de Carvalho, presidente da Associação Internacional de Cirurgia Cosmética e coordenador do curso de pós-graduação do Centro de Pós-Graduação de Medicina Estética do Rio de Janeiro.

As recentes são mais fáceis de tratar

Verdadeiro. Isso acontece porque o tecido ainda possui bastante fibra elástica, o que permite seu recondicionamento rápido e a diminuição dos espaços entre os sulcos, bem como a produção de novas fibras que vão maquiar completamente o local afetado. Nesse período, os médicos lançam mão de peelings combinados a tratamentos com vários tipos de laser, e loções tópicas contendo ácido retinoico.

É possível eliminar as marcas antigas

Falso. "Só conseguimos suavizar o problema e não acabar com ele de vez, porque o grau de rompimento das fibras é avançado", diz o dermatologista David Gruman (SP). Como o rompimento dos filamentos já ocorreu, e com o tempo o processo de fibrose se instalou, inclusive com perda da melanina na área, não há como reverter o processo.

Terapias à base de creme não funciona

Falso. Geralmente, duas ou mais técnicas devem ser aplicadas, e podem ser alternadas semanalmente. Segundo Fernando de Carvalho, o primeiro passo pode ser o tratamento contínuo e doméstico com cremes, a fim de preparar a pele para os procedimentos abrasivos. "Esses cosméticos devem conter baixa dosagem de ácidos, como o retinoico, a hidroquinona e a isotretinoína, para evitar a despigmentação e o surgimento de manchas. Outra opção para o tratamento em casa são emulsões lipossomadas (à base de gordura) em forma de óleos essenciais, como o oleico, o linoleico e o palmítico. A indicação de uso é de duas vezes ao dia, pela manhã e à noite. Esses óleos permitem a pigmentação das linhas esbranquiçadas, pois são capazes de estimular a produção de melanina", explica o médico. Em associação aos cremes, ele indica procedimentos que atuem no fibroblasto. "A ideia é produzir elastina, repondo a fibra rompida para reposicionar a estria. No caso da mama, local onde há grande concentração de fibras elásticas, os resultados do tratamento são muito animadores e rápidos", comemora o especialista.

Hidratar a região ajuda a prevenir o estiramento da pele

Verdadeiro. Usar cremes à base de ureia, lactato de amônia e óleo de amêndoas, principalmente durante a gestação, ajuda a lubrificar a camada externa da pele, tornando-a mais flexível. O ideal é passar após o banho, em massagens circulares. "Além do uso de hidratantes, deve-se evitar o aumento de peso exagerado, e em curto período de tempo, pois o efeito sanfona é um desencadeador do problema", informa o dermatologista Abdo Salomão Jr. (SP).