Caracterizada pela perda de pigmentação da pele, o vitiligo atinge suas vítimas não só física, mas também psicologicamente

Reportagem: Monique Zagari Garcia

vitiligo

O estresse emocional do dia a dia pode contribuir para o surgimento de manchas brancas
no corpo
Foto: Shutterstock 

Caracterizado pelas manchas brancas espalhadas na pele, o vitiligo é uma doença dermatológica que atinge de 1% a 2% da população mundial, manifestando-se de diversas formas e tamanhos, em pontos isolados ou espalhados no corpo. Segundo a Dra. Samar El Harati, dermatologista do Hospital e Maternidade São Luiz (SP), o surgimento dessas lesões ocorrem devido à diminuição ou falta de melanina (pigmento que dá cor a pele). “O vitiligo atinge ambos os sexos em qualquer idade, manifestando-se inicialmente com manchas hipocrômicas e depois acrômicas, tendendo à distribuição simétrica e predileção por áreas como genitais, punhos, dedos, axila, pescoço, perioral, ao redor dos olhos, face lateral e pernas”, acrescenta a Dra. Ana Célia Xavier, dermatologista do Hospital São Camilo (SP).

hipótese mais aceita para explicar as origens e causas do vitiligo é a teoria que classifica a doença como autoimune: “A teoria autoimune defende que o vitiligo ocorre devido à formação de anticorpos que atacam e destroem o melanócito ou inibem a produção de melanina”, detalha a Dra. Samar. A Dra. Ana Célia Xavier completa: “A doença é geneticamente herdada e desencadeada por exposição solar intensa, como queimaduras ou traumas cutâneos, e está associada ao aparecimento de outras doenças autoimunes, como diabetes, tireoidite, esclerose sistêmica e estresse emocional. Sua evolução é imprevisível, mas o fator emocional é fundamental para sua remissão e/ou expansão”.

Mais do que uma doença de pele, o portador do vitiligo muitas vezes é vítima de preconceitos e ainda pode sofrer sérias alterações comportamentais por se sentir diferente, excluído: “A autoestima fico muito comprometida, fazendo até mesmo com que as lesões piorem. Muitas pessoas são preconceituosas por acharem que as manchas são contagiosas, fato que não é verdadeiro. Pessoas que trabalham diretamente em contato com o público são as que mais sofrem com a doença, podendo até mesmo apresentar certa fobia social”, relata a dermatologista Miriam Sabino de Oliveira (SP). A Dra. Ana Célia Xavier afirma que pessoas que têm vitiligo também podem apresentar quadros de ansiedade e depressão, sendo fundamental o acompanhamento psicoterápico para estes casos.

Quanto aos tratamentos para o vitiligo, a Dra. Ana Célia enumera diversos meios para controlar a doença: “Camuflagem com cosméticos tópicos (melhoram o aspecto estético da pele e ajudam a disfarçar as manchas brancas), despigmentação total da pele quando a doença atinge mais de 50% do corpo, uso de laser no comprimento de onda adequado, minienxerto com punch (espécie de bisturi redondo) no local das manchas, uso oral de betacaroteno e imunossupressores, tópicos com uso de corticoides, imunomoduladores e psoralênicos associados ou não à fototerapia (UVA/UVB)tratamento psicológico do paciente com medicamentos e terapia e até mesmo o tratamento de doenças associadas podem facilitar a melhora do vitiligo”.

A Dra. Samar El Harati finaliza ressaltando a importância de levar em consideração o estado psicológico da vítima perante a doença, uma vez que o vitiligo, como já dito, pode promover a baixa autoestima, reclusão social e influenciar o quadro do distúrbio, que pode apresentar melhorias ou não das manchas:  “Muitas vezes o acompanhamento psicológico do portador do vitiligo se faz mais necessário do que tratar a própria lesão”, conclui.