Corpo a Corpo pinçou as técnicas que prometem dar um up no visual! Fique por dentro das novidades mais promissoras para manter — e realçar — essa carinha de anjo

Reportagem: Carmen Cagnoni

rosto

Congresso de dermatologia traz novidades em prol da beleza com ações rápidas e não invasivas
Foto: Danilo Borges

Considerado o maior e mais importante encontro de dermatologia, pois reúne milhares dedermatologistas de todo o mundo, o Annual Meeting of the American Academy of Dermatology (Congresso Americano de Dermatologia), cuja 70ª edição aconteceu recentemente, em San Diego, nos Estados Unidos, mostrou o que deve ser top em tratamento estético nos próximos meses, em todo o mundo. A tendência aponta técnicas cada vez menos invasivas e foco na prevenção para garantir a saúde e a beleza da pele por um período cada vez mais longo. Acompanhe quais são esses procedimentos e os ativos mais promissores abordados no evento. Alguns já estão atédisponíveis no Brasil!

Ultherapy®

Uma das vedetes do encontro foi a Ultherapy®, uma nova tecnologia de ultrassom indicada para tratar flacidez da face e do pescoço, proporcionando um efeito lifting que melhora o contorno da região tratada. “Até então, não havia um aparelho de ultrassom que conseguisse atingir camadas tão profundas da pele, estimulando os fibroblastos”, explica Mônica Aribi, dermatologista (SP). “Essa tecnologia atua de maneira diferente de outras já existentes, pois promove aquecimento em uma profundidade cutânea que nenhum outro equipamento atinge”, concorda Mônica Felici, dermatologista e membro da Associação Brasileira de Dermatologia (SP). O dispositivo já está aprovado pelo Food and Drug Administration (FDA) e utiliza energia ultrassônica para estimular camadas estruturais de suporte da pele sem causar danos às superficiais. Outra vantagem do método é que basta uma sessão para estimular a produção de colágeno, que se mantém por dois a três meses, podendo se prolongar por até seis meses. Depois, é recomendado repetir a aplicação. Oprocedimento está indicado para pacientes com flacidez moderada da pele da face, dopescoço e da região dos olhos. Há contraindicação para grávidas e pessoas que apresentemdoença de pele no local da aplicação. O aparelho ainda aguarda liberação na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas deve chegar ao Brasil no segundo semestre deste ano. “Os primeiros efeitos são percebidos na hora da sessão e o resultado, depois de três meses. Além disso, oprocesso não é invasivo nem necessita de anestesia geral, proporciona uma recuperação imediatae pode ser realizado em consultório, em qualquer época do ano e por pessoas de diferentes fotótipos”, esclarece Luciana Lourenço, dermatologista (SP).

Clear & Brilliant

Um estudo científico divulgado pela Universidade de Londres mostrou, após avaliar a pele de mais de cem pessoas, que o cérebro percebe uma face mais envelhecida quanto menor for a uniformidade de sua cor. De acordo com os pesquisadores, as notas atribuídas para a falta desse quesito foram maiores do que para as rugas. Portanto, pele jovem implica em tonalidade homogênea. Para garantir essa qualidade, um novo aparelho de laser promete ser sucesso. “O Clear & Brilliant é para quem quer cuidar e prevenir o aparecimento de manchas. Ele permitesessões mais suaves para pessoas mais jovens, com o intuito de evitar o fotoenvelhecimento. Esse laser fracionado pode ser usado por pessoas entre 25 e 30 anos, pois não é agressivo, e járeduz os primeiros sinais de envelhecimento”, relata Jardis Volpe, dermatologista e diretor da Clínica Volpe Dermatologia e Laser (SP). “Trata-se de um laser de diodo fracionado, que melhora o tônus e o brilho da pele. Ele não é agressivo e não causa reação posterior. É indicado para a paciente que já realizou algum tipo de tratamento com laser, ou aplicou toxina botulínica, ou fez preenchimento e quer manter os resultados. Ou, ainda, para tratar preventivamente a pele de pessoas mais jovens”, enumera Mônica Felici. O aparelho já foi aprovado pelo FDA, mas aindanão está disponível no Brasil. São necessárias de três a cinco aplicações, com intervalo mensal. De um modo geral, a manutenção é feita com uma sessão a cada seis meses. Acontraindicação é para grávidas, pessoas com pele sensível ou que apresentem alterações cutâneas no local da aplicação.

E-Prime

“O E-Prime é um equipamento que trabalha com microagulhas para estimulação direta da derme profunda (radiofrequência microinvasiva). Ele possui diferenças se comparado a qualquer outro tipo de laser: corrige as atrofias (áreas de afundamento) da face sem a necessidade de preenchimento ou substâncias injetáveis. Assim, obtém-se um efeito firmador da pele, além da correção das áreas de sombreamento da face, que tanto pesam e envelhecem a aparência”, explica Jardis Volpe. O aparelho, que já está aprovado pelo FDA, mas ainda não está disponível no Brasil, promove ação de volumização da face sem preenchimentos, além da melhora da flacidez e atenuação das rugas finas do terço inferior da face e do pescoço. São necessárias de duas a três sessões mensais, e uma anual para manutenção.

RNA

Utilizar informações que dizem respeito às características pessoais de cada um é o princípio do chamado creme RNA, tecnologia que está chegando ao País. “A ideia é oferecer um tratamento completamente personalizado, de acordo com as reais necessidades de cada pessoa”, explica Mônica Aribi. Para tanto, retira-se uma pequenina amostra de pele (2 mm x 2 mm) da região pré-auricular (parte posterior da orelha), que é enviada para análise laboratorial. Conjuntamente com a avaliação do dermatologista, que é inserida em um site, é feito um estudo minucioso das necessidades daquela paciente. “O laboratório formula, então, um creme personalizado, que utiliza tripla nanotecnologia para obter partículas diminutas capazes de penetrar na epiderme”, esclarece Mônica Aribi. O creme deve ser utilizado em casa.

Células-tronco

Muito tem se falado no poder transformador e na capacidade de cura das células-tronco e os benefícios delas para rejuvenescimento da tez foi tema de destaque no Meeting. Aqui, técnicas de tratamento com auxílio dessas células já estão sendo utilizadas. Existem duas formas para sua obtenção. Uma é por meio industrial: extraídas de vegetais, são manipuladas em laboratório e utilizadas em fórmulas tipo sérum de aplicação tópica. “Usamos um aparelho que faz microperfurações na pele para facilitar a ação do produto, que é aplicado por todo o rosto. São indicadas seis aplicações, uma a cada semana”, detalha Mônica Aribi. Outra técnica é a obtenção de tais células do próprio paciente. “Depois da realização de exames médicos, colhemos uma biópsia de pele da região do púbis (5 cm x 2 cm) e a mandamos para um laboratório, que será responsável pela obtenção de aproximadamente 30 milhões de células-tronco. Cerca de 45 dias após a extração, é feita a primeira aplicação na cútis, em forma de mesoterapia. A aplicação deve ser repetida um mês depois”, conta a dermatologista.

Spectra Laser

“O Spectra é o único laser aprovado pelo FDA para tratamento das manchas acastanhadas que surgem na pele em decorrência da gravidez ou do uso de anticoncepcionais. Ele atua com luz de baixa fluência, evitando o efeito rebote (ação que promove a volta das manchas algum tempo depois). O aparelho emite pulsos de luz ultrarrápidos e sua energia é absorvida pelos melanócitos,células que produzem o pigmento escuro. Com essa ação, essas células explodem e são eliminadas pelo organismo. O laser também é indicado para quem quer clarear tatuagens sem risco de deixar cicatriz”, esclarece Mônica Aribi. “Esse laser tem dois modos de ação: o Q-Switched, depulsos curtos, que amplia o tratamento e promove mais segurança para quem quer tratar manchas escuras; e o modo Spectra Toning, de pulsos longos e menor energia, que atinge as camadas mais profundas da derme. Ele vai até o pigmento e o divide em micropartículas. Depois, as joga na derme e faz que haja uma reação ao corpo estranho, por meio do qual o próprio organismo se encarrega de destruir o pigmento”, explica Regina Schechtman, médica e doutora em dermatologia pela Universidade de Londres e membro da comissão científica da Sociedade Brasileira de Dermatologia (RJ). São necessárias dez sessões, uma por semana.