Sem cirurgia, balões gástricos previnem a obesidade e prometem eliminar os quilinhos extras de quem tem sobrepeso em seis meses. Saiba mais

Reportagem: Rita Albuquerque

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O balão gástrico promete eliminar 12% do peso inicial em

seis meses

Foto: Danilo Borges

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O que é o balão gástrico?

Aprovado pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) , o balão gástrico Orbera™ é um dispositivo inserido no estômago por meio de endoscopia. Nele, são injetados soro e azul de metileno. Quando implantado, o balão proporciona sensação de saciedade, tanto pelo volume ocupado, como pela localização onde é posicionado. O procedimento ocorre com efeito de sedação e dura cerca de 20 minutos, podendo ser realizado em hospitais ou clínicas especializadas.

 

Como funciona o emagrecimento?

A permanência do balão gástrico no estômago é de até seis meses. Nesse período, o paciente perde em média 12% do peso inicial, visto que a sensação de saciedade é ocasionada pelo volume do dispositivo implantado. Caso o nível de obesidade seja elevado, há possibilidade de inserir um novo balão no intervalo de um mês após a retirada do primeiro.

Após o procedimento, o paciente segue um programa multidisciplinar coordenado por médicos, nutricionista, psicólogo e preparador físico, cuja função é a manutenção dos resultados conquistados.  Para a nutricionista Jéssica C. O. Berto (SP), sendo o método invasivo ou não, a recuperação do paciente deve ser sempre acompanhada por uma equipe que objetiva modificar hábitos alimentares e comportamentais, além de incentivar a prática de atividades físicas. "Devemos conscientizar que o emagrecimento é uma consequência e que tratamentos milagrosos não existem. Persistência e força de vontade são sempre necessárias para chegar ao objetivo principal", afirma.

Quem pode fazer o procedimento?

O balão gástrico visa atender a população com sobrepeso, ou seja, IMC (Índice de Massa Corporal) maior ou igual a 27, e que não tenha conquistado resultados satisfatórios com remédios emagrecedores e dietas restritivas. As pessoas obesas, que não querem enfrentar a cirurgia de redução de estômago, também podem optar pelo balão gástrico.  

O método não é indicado para pessoas que não desejam participar de programas de reeducação alimentar associados a exercícios físicos, portadores de doenças gástricas e que tenham se submetido a cirurgias abdominais anteriormente, pessoas com problemas no esôfago ou faringe, grávidas ou mães em períodos de amamentação e pessoas com quaisquer vícios.

Para calcular o IMC, divida o peso pelo quadrado da sua altura. Exemplo: 71 (quilos) x 1,60² (altura) = 27,7 = sobrepeso.

Como têm sido os resultados?

Segundo estudo brasileiro realizado pelo Dr. José Afonso Sallet e publicado na revista Obesity Surgery, 573 pessoas que fizeram uso de balões gástricos eliminaram 48% do peso inicial e reduziram o IMC em até 5,3 pontos, seguindo também o programa multidisciplinar e um plano alimentar de 1000 calorias diárias.

Após um ano da retirada do balão, pacientes conseguiram manter mais de 90% da perda de peso.

Quais são os efeitos colaterais?

Náuseas, vômitos e/ou dor abdominal logo após o procedimento, além de gases e flatulência causados pela inserção de um "corpo estranho" no organismo. Segundo a endocrinologista do Departamento de Clínica Médica da USP, Dra. Kátia Seidenberger, o balão gástrico não prejudica a absorção de nutrientes pelo organismo, diferente do que ocorre com outros métodos.