Mesmo em alta após ser adotado por famosas como Deborah Secco e Sabrina Sato, o jejum intermitente ainda gera muitas dúvidas. Confira as principais informações sobre o método!

Por Ana Paula Ferreira | Foto Shutterstock 



Adotado por celebs como Deborah Secco e Sabrina Sato, o jejum intermitente deu e ainda dá o que falar. E não é para menos! A ideia de passar 12, 16 ou até 24 horas sem comer realmente desperta a curiosidade e discussões a respeito. Para esclarecer as dúvidas mais comuns, reunimos as principais informações sobre o método. Confira abaixo!

O que é jejum intermitente? 

Antes de tudo, é importante entender do que se trata o jejum intermitente e quais são seus efeitos no organismo. De acordo com a nutricionista funcional Angélica Padilha, de São Paulo, o método é uma estratégia na qual as pessoas deixam de comer por um período determinado, que pode variar de 12 a 24 horas ou mais. “O protocolo mais comum envolve a abstenção total de comida pelo período escolhido e permite apenas a ingestão de líquidos como água, chá de ervas e café”, explica ela, que ressalta que este tipo de alimentação só deve ser feito com acompanhamento nutricional ou médico.  

A perda de peso vem junto com as diversas mudanças hormonais causadas pelo jejum, sendo a principal delas em relação à insulina. “Durante o tempo sem alimentação, o corpo busca uma fonte alternativa de energia. Na ausência de glicose, ele usa nossa gordura estocada como fonte de energia, favorecendo a redução da gordura corporal”, explica Felipe Rossini, nutricionista da Clínica Rossini Saúde e Estética, de São Paulo. “Além disso, o jejum contribui para redução do colesterol total, aumento do HDL e redução do LDL, redução dos triglicerídeos, aumento a produção do hormônio de crescimento e redução da inflamação”, conclui.

Vale lembrar que o jejum não pode ser classificado como uma dieta. “Ele é uma pratica extremamente antiga e comum, porém hoje já temos diversas evidências mostrando uma série de benefícios para nossa saúde”, esclarece ele.

Benefícios do jejum intermitente 

O jejum intermitente não está relacionado somente ao emagrecimento. “Os benefícios são diversos, desde a melhora de marcadores inflamatórios, aumento da sensibilidade à insulina, redução do risco de doenças cardiovasculares, entre outros”, aponta Rossini. Contudo, para que o corpo e a saúde sintam estes efeitos, devem ser priorizados alimentos saudáveis e ricos em nutrientes na hora das refeições. “O corpo continua necessitando de vitaminas, minerais, fitoquímicos e antioxidantes para exercer com perfeição todas as funções”, ressalta Angélica.

Outro benefício proporcionado pela abstenção é a reciclagem das células mortas, chamada autofagia. O assunto, inclusive, rendeu em 2016 o prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia ao cientista japonês Yoshinori Ohsumi. O pesquisador estudou o processo de reciclagem das células quando a pessoa está em jejum e descobriu que os problemas nesse mecanismo estão ligados diretamente ao surgimento de doenças como o mal de Parkinson e a diabetes tipo 2. 

Contraindicações do jejum intermitente 

Mesmo oferecendo benefícios para a saúde, o jejum intermitente possui uma série de contraindicações. “Se você possuir diabetes ou alterações no controle da glicemia, pressão baixa, pouco peso ou desordens alimentares, sugiro que consulte um profissional antes de mais nada”, indica Rossini. O mesmo vale para aqueles que estejam sob forte stress ou dormindo mal, em fase de treinamento intenso ou que usem algumas determinadas medicações. “Durante a gravidez, período de amamentação ou para crianças, esqueça o jejum!”, enfatiza o profissional, uma vez que essas são fases de crescimento ou que se necessita de um aporte maior de energia.

Tempo de jejum

Uma dúvida muito comum sobre o método é a respeito da quantidade de horas que se deve ficar em abstenção para garantir o emagrecimento e os benefícios à saúde. Felipe Rossini explica não existe uma regra quando o assunto é o tempo do jejum – quem determinará esse fator é o nutricionista responsável por seu plano alimentar. 

Já de acordo com Angélica, “um dia o jejum pode ser de 12 horas, outro de 16 horas e outro de 18 horas. Não é necessário seguir um padrão. Isso varia de pessoa para pessoa, do quão adaptada ela está e quais são os objetivos”. Por isso é a orientação profissional é indispensável. Lembre-se: cada organismo reage de uma forma diferente! 

Treino + alimentação

O jejum intermitente não interfere na rotina de quem pratica atividade física. Segundo a personal trainer Cau Saad, de São Paulo, assim como toda mudança na alimentação, o método requer um tempo de adaptação no volume e na intensidade do treino para que não ocorra nenhum mal-estar. “Todas as atividades são liberadas, tendo os ajustes adequados”, explica ela.

Para o treino ter resultados positivos, você precisa apostar nos alimentos certos. “Mais importante do que a abstenção, é o que você consome entre os jejuns. Se não souber o que comer no dia a dia, sua massa magra pode sofrer e você terá mais prejuízos do que benefícios”, diz Felipe Rossini. Uma opção para garantir energia na hora das atividades, segundo o profissional, é quebrar o jejum na hora do almoço e treinar no período da tarde. Ele não recomenda treinar durante o período de abstenção sem supervisão de um profissional de educação física.

Investir em alimentos de baixo índice glicêmico como inhame, cará, batata-doce, aveia e gorduras como abacate, azeite de oliva, óleo de coco, castanhas e pasta de amendoim são boas pedidas para auxiliar na produção de energia. O ideal é que eles sempre estejam acompanhados de alguma fonte de proteína, como carnes, ovos ou até mesmo suplementos proteicos.  “O importante é manter a glicemia estável, ou seja, não consumir carboidratos em excesso (pão, macarrão, bolo, biscoitos, etc) e apostar mais em vegetais e gorduras boas”, orienta Angélica Padilha. É indicado que a refeição ocorra pelo menos 60 a 90 minutos antes da atividade física.

Felipe Rossini ressalta, ainda, que o café puro é um excelente aliado, assim como chás de ervas e muita água. “Tudo sempre sem açúcar e de preferência sem adoçantes”, orienta.