Com a correria é comum que as refeições sejam feitas em restaurantes, barraquinhas e ambulantes. Ok, não tem muita saída, mas é preciso atenção redobrada, já que o calor é a estação perfeita para a intoxicação alimentar aparecer. Saiba como se manter longe desse problema fora e dentro de casa!

Texto Ivonete Lucirio | Foto Shutterstock | Adaptação web Ana Paula Ferreira



O consumo de comida estragada é uma encrenca. O incidente, que se torna bem mais provável nos dias quentes, pode causar um grande problema, deixando uma pessoa de repouso por vários dias. É o caso da intoxicação alimentar, causada pela multiplicação exagerada de bactérias que se instalam nos alimentos ou pelas toxinas que elas produzem no processo de decomposição. Um fato curioso: a proliferação dessas bactérias pode continuar mesmo dentro do organismo, depois que o alimento é ingerido. Mas calma! Com algumas medidas é possível proteger-se e evitar esse mal.

Conhecendo o inimigo

Os micro-organismos que mais causam esse tipo de problema são a Campylobacter, comum na carne das aves, a Salmonella, que habita, principalmente, as carnes e o leite, e a E. coli, que vive na carne e na água. “Os principais sintomas são diarreia, vômito, enjoo e, eventualmente, cólicas abdominais”, explica Mário Kondo, gastroenterologista, de São Paulo (SP). Tanto os micróbios quanto as toxinas entram no corpo pela boca, com o alimento, e se alojam no intestino. Por isso, os primeiros incômodos estão relacionados a essa região do corpo. “O tempo que esses sintomas levam para se manifestar depende de quantas bactérias havia no alimento”, diz Paulo Olzon, clínico geral e membro da Sociedade Brasileira de Medicina Ortomolecular, de São Paulo (SP). “Pode variar de duas horas até dois dias”, conta. 

Alguns alimentos são mais propícios a causar infecção. Os cremes à base de leite, como o chantili, por exemplo, formam um meio de cultura perfeito para a proliferação de bactérias. É só esquentar um pouquinho que elas começam a se multiplicar.  Verduras mal lavadas, ovos e maionese estão entre os mais perigosos. “Deve-se também tomar muito cuidado com carnes, peixes, frutos do mar e laticínios”, alerta Sender Miszputen, gastroenterologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). 

E não se iluda pensando que, só por ter sido preparado em casa, um alimento não oferece risco. “Boa parte da contaminação se dá dentro do ambiente doméstico”, garante Sender Miszputen. Um levantamento da Secretaria de Saúde de São Paulo mostrou que 27% dos casos entre 1998 e 2008 foram causados por alimentos preparados em casa. É preciso ficar atenta, seja onde for.

Para se tratar

Se a intoxicação estiver instalada, não há muito a fazer, além de ter paciência. Os sintomas duram cerca de três dias e costumam passar depois desse período. “Se a pessoa tiver apenas diarreia, vômito e dor abdominal, pode esperar até 48 horas antes de procurar um médico. Mas quando aparece febre, que é um sinal de infecção, é melhor ir imediatamente”, adverte Paulo Olzon. A desidratação é o principal risco oferecido pela intoxicação alimentar. Por isso, ao menor sinal dela, ou seja, diminuição na quantidade de urina, boca seca e tontura, a recomendação é a mesma, corra para o especialista. 

Ao contrário do que muitos pensam, os médicos indicam não bloquear a diarreia ou o vômito. É por meio deles que se eliminam as toxinas e as células mortas. “Mas já há medicamentos que se propõem a reduzir a perda líquida sem interferir na saída de materiais indesejáveis”, completa Sender Miszputen. Para a dor abdominal, o mais indicado são os analgésicos, uma vez que os remédios para cólica diminuem a contração que ajuda a eliminar as fezes. 

Não é preciso ficar sem comer, mas os alimentos devem ser bem escolhidos. Nada muito quente ou picante, porque isso vai irritar ainda mais o estômago. Bom mesmo, para essa situação, é água de coco, canja de galinha, bolacha de água e sal ou maçã e pera cozidas. E muita, muita água para hidratar. Mas é lenda a crença de que água com limão corta a diarreia. “O que funciona, sim, é colocar uma colher (café) de sal e uma (sopa) de açúcar em um litro de água filtrada para fazer soro caseiro”, diz Sender Miszputen. Não é preciso fazer repouso, a menos que a pessoa se sinta indisposta.  Os exercícios físicos pesados devem ser evitados, porque aumentam a perda de líquido e podem agravar a desidratação.

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